O dia do pedreiro...
- Não, não e não, mil vezes não. Você não desiste nunca? – Disse a nervosa moça encarando o senhor respeitável que estava na sua frente.Respeitável era sua aparência, mas suas vontades o traiam, tinha oferecido dinheiro, muito dinheiro para Dorothy Beejay e o que queria em troca era uma noite com a mais famosa jogadora dos cassinos de East Blue.
- Tente com minhas amigas lá fora, você conseguiria alguns dias divertidos com isso.E então, vai apostar ou vai ir embora? – A moça era sem dúvida linda, morena, com lindos olhos castanhos que denunciavam todo o seu ímpeto.Isso havia afetado o senhor apostador.
- Olhe aqui boneca, eu vou dobrar a oferta, olhe aqui – e então ele sacou a carteira – Já viu tanto dinheiro assim?
- Segurança! Gritou Beejay, mas sua voz fora abafada pela música alta daquele cassino. Havia uma apresentação ocorrendo naquele momento, um homem franzino com uma camiseta que dizia “Sociedade Planejada Já! A.M.M.” era o famoso rock progressivo, um som deveras antigo.
-Segurança! – Ela continuou clamando. Mas ninguém vinha. Então, o homem
pegou - a pelo braço e começou a puxar. O vestido de festa que ela estava usando, bem como o salto alto, a impediram de resistir. Foi arrastada pelo salão. Onde estariam todos os seguranças? Ela se perguntava.Viu no meio da multidão um segurança que a olhou nos olhos, ouviu seu apelo e nada fez.Pensou no pior, fora vendida. Ele devia ter pagado a todos para que nada vissem. Estava sozinha, como sempre. Não pensou duas vezes, pisou com o salto usando toda sua força contra o pé do homem que a obrigava a seguir em frente, ele gritou com a dor e afrouxou o braço de Dorothy, que aproveitou para fugir. Correu para os fundos do cassino, trombou com algumas pessoas no caminho, mas não caiu, seguiu até os fundos, passou pelo cambio e saiu pela porta dos funcionários.Encontrou dois homens sentados no capô de um belo carro de luxo.Devia ser uma BMW ou algo assim, não importa. Eles estavam armados.
- Estávamos esperando por você, senhorita. - E abriu a porta do carro. Não havia o que fazer. Ela entrou no automóvel. Estofamento de couro, e uma garrafa de champagne num balde cheio de gelo. Os dois homens sentaram nos bancos da frente.
- Você é sortuda, gracinha.Nunca vi o chefe gastar tanto dinheiro em alguém. - Mas Beejay não respondeu.Deviam ser três horas da manhã e, além dos ruídos do cassino, era possível escutar alguém se aproximando.
- O que aconteceu? Chefe?
- A gatinha tem garras.
- Mas, o senhor está bem?
- Sim. – E então entrou no carro.
- Bem, entendo sua relutância, mas deixe me apresentar, sou Butch. – E fez uma mesura.
- Me deixe ir. Não quero nada.
- Existe um preço pra tudo neste mundo. O que faltam são ofertas condizentes.Vamos lá, vamos dar uma volta. Você verá.
Beejay estava acostumada com esse tipo de gente, ricos e totalmente prepotentes. Mas sempre teve a proteção do cassino.Havia muito dinheiro na jogada. O carro começou a andar. As luzes da cidade logo se tornaram feixes de luz conforme o carro acelerou.
- Se acalme, você vai gostar do que vai ver. – disse Butch.
- Duvido. – respondeu Beejay.
Passaram se vinte minutos e apenas algumas breves frases foram trocadas entre os dois e, então, o carro parou. Estavam defronte a um casarão na serra que circundava a cidade. Era uma belíssima casa.
- E então, gostaria dessa casa?
E ela respondeu
- Não. Não você não vai me comprar.
Veremos, vamos entrar. - Os dois homens que escoltavam Butch seguiram na frente abrindo a porta principal.E aí veio a grande surpresa. As paredes estavam forradas de quadros que ela mesma tinha pintado. O dom que orgulhava tanto seu pai foi esquecido.
- Onde você pegou isso? – ela perguntou.
- É tudo para você, se me der o que quero.
Sentiu ódio fluindo nas suas veias. - Quem ele acha que é. Acha que pode comprar todo mundo? Queria xingá-lo. Queria que ele e todo seu dinheiro explodissem.
- Não.
- Olha só. Vejamos o que mais temos para você pequena.- A casa tinha tudo que ela gostava, o tom das paredes, do piso. Os mais diversos objetos que traziam diversas lembranças estavam ali.
- É a sua casa dos sonhos! Por quê não aceita?Uma noite lhe renderá uma vida perfeita.
- Não existe isso. Não quero. Deixe-me ir.
- Calma, estamos só começando.- Disse Butch sorrindo.
- Suba as escadas. E entre no quarto.
Havia uma menina sentada na cama.No primeiro instante não reconheceu.
- Sua filha! Você nunca a conheceu.
- Não, não pode ser. O que você quer?
A menina olhou assustada.
- Mãe?
Aquilo era demais, toda a frieza que Beejay mantinha foi por água abaixo.
- Como você sabe? Como você fez isso? – Indagou desesperada.
- E então, minha resposta?
- Não sei. Não machuque ela!
- Se continuar me dizendo não? Vou matá-la.
- Não! – Gritou Beejay enquanto agarrava a filha.
- Ou devo matar as duas? – Butch riu novamente.
- Me diga, o que mais você deseja?
- Quero que você morra! Desapareça!
- É isso?
Foi uma noite longa, e Dorothy não sabia o que tinha feito, ela sofria, sofria muito enquanto o homem se satisfazia totalmente.Ela o odiava, como o odiava. Acordou e viu o homem ao seu lado, não era Butch. Era um cliente habitual dormindo. Pegou a arma que guardava no criado mudo.
E então, ela chorou.Chorou muito, pois estava no seu quarto imundo, e nada lá havia. Tudo o que desejava era sua vida antiga. Sua filha, seus quadros, sua vida. Ela era um fantasma, um corpo que perambulava pelo mundo.Tinha se vendido por ódio.E agora nada mais tinha. Segurou a arma contra a têmpora, desistiu. Vestiu suas roupas, e foi descobrir se estava viva.
Playing : Medal of Honor
Listening: OSI - Kicking
Video: Osi Free (Ps: Não é nem de longe a melhor musica na minha opinão,but é a unica que tem video.)
Um comentário:
Texto incrivel, que como sempre, me manteve atento para saber o desfecho final.
Parabens patrick, como sempre...
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