O dia do julgamento e outras histórias....
O dia do julgamento
De todas os bairros da minha cidade, eu sinto-me mais á vontade no Centro Antigo. Os prédios antigos semi restaurados, meio destruídos. A calçada mais velha do que todos que andavam sobre ela. O Centro Antigo não era bonito, era especialmente feio e mal cuidado. Era tomado pelos tipos mais estranhos que todos evitavam, mendigos e meninos de rua. Era estranho como a calçada onde os mais ricos se esbaldavam há 40 anos hoje era o reino dos malditos. Não sei porque, mas me sinto bem andando pelo Centro Velho. Num dia especialmente nublado, não que minha cidade tenha muitos dias ensolarados, mas esse realmente despertava a mais profunda melancolia de um estrangeiro. Eu estava normal, não gosto de me traduzir como feliz, pois sei que logo fico triste, e se digo que estou triste logo fico entediado. E se fico entediado logo fico feliz por quebrar o tédio vindo aqui. Portanto prefiro ficar “normal” a maior parte do tempo. Neste dia, conheci um personagem especialmente curioso.Era um mendigo, andava com um mendigo, mas não cheirava mal. Eu até podia reconhecer o perfume que tantos transeuntes me obrigavam a sentir. Era barato sem dúvida.Mas um mendigo perfumado era uma visão única. E ele carregava uma placa. – O fim do mundo já chegou. Isso derrubou minhas expectativas, devia ser um crente, que queria me converter. Maldito Hobby esse não? Olha aqui irmão. Venha se alienar comigo. Não obrigado. Estava desistindo dele quando novamente outra qualidade apareceu. Ele me olhou nos olhos. Isso é raro. Ninguém faz isso. Senti minha alma sendo examinada.
- Não acredita? – Disse o mendigo rompendo o silêncio.
- De fato, ele vai acabar. Eu não acredito que Deus ou qualquer um de seus amigos estejam por trás disso. Quem vai destruir isso aqui é o Homem.
- Errado amigo, Vai acabar hoje. E não tem nada que você possa fazer a respeito.
A revelação do homem me chocou profundamente, é um daqueles momentos onde a ordem de tudo se abalava. Pra mim essa mesma ordem era um mistério, eu questionava as coisas simples, os protocolos do dia-dia. Se existe um ser superior acredito que é uma secretária, mal humorada e mal paga. Que só sabe seguir procedimentos. O garfo fica ao lado da faca, o menor garfo é o da salada, e as pessoas devem estudar quando crianças, para se tornar adultos confiáveis que casam com outros adultos confiáveis e tem filhos.Filhos que carregam os fardos dos pais que descarregam seus medos nos filhos. Maldita ordem maldita.Entretanto a secretária foi cochilar, e agora este mendigo estava mudando as regras. É como se a realidade toda se curvasse.Mas logo a excitação passou. E veio o medo.
- Como vai acabar? Atrevi-me a perguntar.
- Esta sentindo isso? Esse cheiro horrível? – perguntou o mendigo.
E no que o cheiro foi mencionado, um odor horrível invadiu minha narinas, era cheiro de carne podre. Apertei meu nariz, impedindo que o fedor me incomodasse mais.
- Sabe, você ainda está respirando amigo. – Comentou o mendigo.
- E você, não sente nada? De onde isso vem? – perguntei.
- Dos esgotos.
- E isso vai me matar? - Parecia uma pergunta idiota, mas queria ter certeza.
- Sim.
E o mundo rodou, de vez. Parece que a secretária tirou férias, ou morreu. Não importa, ela não está mais lá. Tentei me acalmar, podia ser tudo blefe.Foi aí que a pomba caiu.
Como um pedregulho, a pomba caiu. Morta. E as outras pombas gostaram da idéia. Todas as pombas caíram. Não havia sinal ou marca. Apenas o cheiro forte que eu tentava evitar.
- Não há como sobreviver?
- Há, sempre há. Mas a pergunta é. Você tem certeza que quer isso?
Abri a boca para dizer sim, quando uma onda de pensamentos me acometeu. Os outros. Como salvaria os meus? Minha família mora em outra cidade.Meus amigos estão todos trabalhando - ocupados.Todo mundo está fazendo algo importante.Ninguém vai prestar atenção. Ninguém nunca presta atenção.
- Me diga, o que você está fazendo aqui. Você provocou isso ?
- Não, o mendigo respondeu. Quero saber se todos esses anos serviram pra alguma coisa.
- Qual é seu nome? – Repliquei.
- Nome? – O mendigo estava assustado com a pergunta.
- Sim, qual é seu nome?
- Meu nome é Alguém.
- Alguém. – Ele não quer me dizer, concluí.
- Me diga algo, qualquer coisa. Será a ultima coisa que você irá dizer. - inquiriu o mendigo.
- A ultima coisa? Bem, tem algo que sempre quis discutir, mas nunca achei alguém com paciência o bastante.Você deverá servir.
- Já pensou que, o que diz o que você é são os outros? Meu nome, só significa algo pra alguém. E não tem sentido, pois eu posso inventar um nome para mim. Pode me chamar de Espectro.
- Certo, Senhor Espectro. - responde o mendigo muito interessado.
- Então, eu sou o que eu significo pra você, pra você eu sou um pedestre curioso, que sabe que o mundo vai acabar.E não sabe o que fazer a respeito.Pra minha família sou o ganha pão, o que sempre traz a comida, e agüenta os problemas de todos. Na minha empresa eu sou o gerente. Sempre ocupado e eficaz.Mas nenhuma dessas facetas sou eu. Em verdade não sei quem eu sou. Sou uma marionete da Secretária.
- Secretária?
- Gosto de imaginar que existe uma secretária que controla minha vida, isso explica a ordem de plástico. Olhe aquelas pessoas ali. Elas nunca vão te olhar nos olhos. Elas esqueceram quem são. Elas vivem essa fantasia que a secretária entregou. Quando o dinheiro acabar. Vão ser sugadas pelo vazio de si mesmo. Vão se drogar, se matar e nada vão encontrar.Eu não sei, não sei o que sou. Só sei que me sinto bem aqui. E que gosto de ler.
- E qual a conclusão que você chegou?
- Que eu não sei se estou vivo.
- Olhe a sua volta.
Havia uma multidão de corpos mortos, perambulando pela cidade. A muitos faltavam partes do corpo, mas eles seguiam andando.A visão era grotesca. Sentiu as pernas falharem, caiu sentado. Os corpos não tinham destino, apenas seguiam andando.De tempo em tempo eles se chocavam. Mas nunca olhavam uns para os outros.Olhei para o mendigo.Mas ele não estava lá. Lá havia uma criança. Devia ter uns doze anos.
- Parabéns. – Ele disse.
Olhei para minhas mãos, eram muito pequenas.Levantei-me. Estava muito baixo.
- Não, são muitos que se salvam. Quer me ajudar a salvar mais alguns?
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Bah...voltando da Dreams (ROX!) pensando na AF jah...Super hotel mega função ( banheiro dava pra lavar o pé na banheira, a mão na pia sentado na privada YEAH!) Povo bem legal..johnny cada vez mais junk lol...foi legal mas senti falta de algum povo - tipo meu primo mr lets go together watch all cosplays...eu vi sozinho =/ mas foi massa mesmo assim XDDDD bah trampo sux mega punk...e férias acabando T_T...
Bah...
Jogando : Nada...
Escutando : DT - Once in a live time - Peruvian Skies ( HAVE A CIGAR NO MEIO DA MUSICA YUHU!!))
VEndo : Fusca 62
4 comentários:
Cara, foda pra carai... posso divulgar isso? simplesmente amei o texto!
Queria saber escrever assim... *não sabe fazer nada direito*
preciso que vc me passe esse link quando eu tiver em casa!
nossa... esse apavorou, mto bom mesmo...parabéns hehehe
pois eh.. ferias ja era. go go aproveitar esse tempo q resta ainda.
bem, a gente se fala... ~take care on your journey ~
Kra, texto muito foda esse!!!
Pois é, as férias estão terminando. Breve, a PUC fará parte da minha rotina novamente.
E ainda não foi dessa vez que eu consegui ir ao Animedreams.
Cara... realmente vc tem um talento muito bom para escrever.
Eh um texto com uma boa densidade de reflexao, gostei bastante. Parabens!
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