segunda-feira, junho 02, 2008

Devia ser quarta feira, com os olhos ainda semi-serrados.
- Bom dia.
Odeio a claridade desse corredor, nem sei quem me cumprimenta,De fato meu quarto é escuro e o corredor claro demais. Seria o Silveira? Como de costume me encontro milagrosamente vestido e caminhando a passos largos em direção a mercearia. Desde que sempre, eu freqüento essa mercearia. Ceará, careca e bigodudo
- Olá !
Ceará é uma figura extremamente misteriosa, sua pele parece a terra na seca, dentes amarelos, todo arcado. Já teve cinco esposas, conheci duas. Márcia e Dirce, duas senhorinhas simpáticas, dessas de rezar o rosário nas quintas, essas que enfeitam a igreja. Ambas obviamente já viúvas antes de conhecerem Ceará. O flerte era magnífico, uma verdadeira corte nupcial
- Olá, Ceará eu gostaria de uma dúzia de ovos , mas daqueles caipiras, casca vermelha. Que fica mais gostoso. E seguia um sorriso.
- Pode deixar, Dona Dirce!
Logo depois dona Márcia.
- Olá, eu gostaria de farinha, mas daquela bem branquinha pra ficar bem gostoso meu bolo.
- Pode deixar, Dona Márcia!
Não me pergunte como mas as duas apareceram com douradas alianças, casadas quem diria.
Enquanto o Ceará começou a usar uma corrente com dois anéis. Um para cada velhinha. Entendo eles, o corpo já esta na ruína, não há posse, não há o que possuir. Sendo assim só se divide tempo. E será que eles tem tempo pra gastar?

- Eu quero um pingado e um pão com manteiga. – Pão caseiro, uma fatia bem larga, esquentada na chapa e o pingado, a minha moda , muito leite muito açúcar pouco café.

Os assuntos de sempre , O jogão do Atlético, políticos corruptos e você essa nova do governo? Não que eu participasse, nunca. Sempre fiquei em silêncio. Afinal, você normalmente nunca tem de falar nada quando acompanhado do seu pai. Tudo é perguntado a ele e ele opina sobre tudo. Extremamente confortável, num cinema 3d a vida passa enquanto a manteiga chia na chapa.

Engulo tudo nesse devaneio e volto a andar. O departamento.

Thiago me recebe com uma calorosa chacota.Ele é original. Não incomoda. Contanto que tenha graça. Sentado na minha mesa. Reunião de grupo. Thiago novamente, a pulsão dele é incomodar as pessoas tirar todos do sério. Enquanto Rodolfo sério sobre o trabalho avança. Rodolfo ao contrário de todos ali, suou muito para chegar aquela posição que nós, almofadinhas criados a base de pingados e pães com manteiga no ceará, não. Recebemos de presente uma vaga ali. Artur que sente o peso de 4 pensões nas costas está mordendo a caneta. Tantas paixões, e agora seu dinheiro tomado e 4 arturzinhos por aí. Cagando e comendo sua grana. E camisinha é tão barata hoje em dia. E obviamente o chefe, que tem menos filhos como Artur, trabalhou menos que Rodolfo mas que adora um pão com manteiga.
A mensagem é clara:

Eu mando em vocês. Sentado na ponta da mesa ele regula sua cadeira pra ficar mais alto.Saca seus aparelhos ultima moda e começa a reunião. Na terceira palavra viajo, viajo muito. Até que chego ao Vilarejo de Ginn. Ginn fica entre dois morros. Venta muito pouco.
- Já era sem tempo. Exclamou um velho com uma barba longa. A cara do ceará.
- Essa casa não vai se construir sozinha sabe.
O terreno estava preparado, pilhas de tabuas , caixas de pregos, martelos um serrote e uma pá.
Era minha loja, na verdade minha mercearia. Sempre quis ter uma.
Começamos pelo assoalho.Madeira de lei. Colocamos as tabuas uma a uma. Me falta prática. Não me lembro da ultima vez que eu realmente fiz algo. Acho que uma pipa na sexta série.
- Você sabe quantos anos demorou pra essa arvore crescer?
Não, nem idéia.
- 8 Anos. É o que me disseram quando eu a comprei.
Quem te vendeu.
-Marcos.
Marcos? Aquele doido que não larga o machado nunca?
- Se é doido não sei. É a melhor madeira que há.
Marcos mora numa casa vermelha perto daqui, seguindo pela trilha que passa na frente da praça, uns 30 passos adiante.Louco de dar nó e apaixonado pelo seu machado. Instrumento de poder, enlouqueceu ao destruir um macieira. Ele mesmo tinha plantado quando tinha dois anos. Obviamente segundo a Mãe dele. Ele adorava a arvore, comia todos os frutos, chegou ao cumulo de lavar as folhas em dias quentes. Pegava seus livros, recostava na arvore e lia. Na verdade a arvore lia para ele, cantava pra ele. Era a mãe dele o pai dele e o melhor amigo. Não que ele não tivesse mãe, mas ela era lavadeira. Sem tempo. A arvore não. Sempre estava a disposição. Era perfeito. Mãe alimentava e a arvore o criava. Até que veio Ana. Diaba. Vestido curto, enquanto Marcos a espiava do colo de sua mãe de madeira.

- Ei. Ei você aí da Arvore.
Ela estava o chamando, pra brincar. E brincaram. Corriam, se divertiam toda sorte de coisas que duas crianças fariam. A mãe antes mimada pendia murcha. Até que surgiu a idéia da casinha. Ele amava a diaba. Cego buscou o machado.

Decepou sua mãe da terra.Que morreu em seguida. Notando o matricídio, ele chorou, gritou. Mãe, mãe!! Assustada a diaba fugiu, deixando o pobre coitado com seu machado.

Pai?

De qualquer forma, estando o piso colocado, fomos às paredes, as erguemos, as prendemos. Que bela loja. Era essa o probuto sonhos, Sonho da nata sonho de leite , sonho de jogador de futebol, sonho de astronauta, sonho de criança e sonho de adulto, aceitamos novos estilos de vida e modernices. A loja foi um vexame, nenhuma venda. Todo mundo tem sonhos, e todo mundo quer ser livrar deles o mais rápido possível. Trocamos por um Nike shox.

Acordo na reunião. Sala vazia.

Nada a ser feito. – digo eu soando como Gogo.


*****

Wall of text. Lol

2 comentários:

Jeni disse...

oiii
foi vc quem escreveu isso?

abraço

Anônimo disse...

sim =]